| Retocolite Ulcerativa |
|
|
|
| Escrito por Dr. César |
| Seg, 01 de Março de 2010 11:02 |
|
RETOCOLITE ULCERATIVA Tradução e Adaptação: Dr. Wu Tou Kwang Estou publicando novamente este artigo (enviado aos membros da APA e ANAMO em 1985) como um exemplo pormenorizado de abordagem energética no diagnóstico e tratamento das doenças. A Retocolite Ulcerativa Inespecífica (RCUI) é considerada atualmente uma patologia psicossomática com fatores de auto-agressão imunológica, caracteriza-se por diarréias com sangue e muco nas fezes. O cólon e o reto apresentam múltiplas úlceras, com inflamação e sangramento. Na Medicina Oficial se administra Sulfasalazina, corticosteróides e tranquilizantes; em casos graves de enterorragia, indica-se até ressecção do cólon. É considerada uma doença pré-cancerosa.
ULCERATIVE COLITIS TREATED BY TRADITIONAL CHINESE ACUPUNCTURE Requena, Y. - Amer. J. Acupuncture, 9(4): 341-6, 1981. O autor inicia a análise citando os seguintes fatores da fisiopatologia chinesa: O intestino grosso (IG) fornece energia ao cólon esquerdo; a vesícula biliar (VB), o baço-pâncreas (BP) e o intestino delgado (ID) controlam o cólon direito. O reto está sob o controle do Po (espírito animal). De acordo com a Teoria dos 5 Elementos, é controlado pelo Metal e portando, ligado ao IG conforme a seguinte citação: "o Po entra e sai com o Ch'i da Terra e do Céu". No Su Wen, pode ser lido que "o orifício inferior (ânus) é a entrada do espírito animal e o servente dos 5 órgãos". Portanto, não há dúvida de que o Po, espírito animal, relaciona-se ao Pulmão "quando entra" e ao reto, "quando sai". O rim subsidia a energia do reto. No capítulo do Su Wen, nós encontramos "preto é a cor do Norte, vai ao rim e o simboliza; ânus e meato uretral são seus orifícios". De fato, os meridianos do rim (R) e IG subsidiam suas energias ao ânus e ao reto. Entre as três etiologias da Retocolite Ulcerativa Inespecífica (RCUI) - cósmica, alimentar e psicológica - a psicológica pode ser encontrada em 50% dos pacientes. De acordo com Pan Khu, imaturidade afetiva e tristeza, tradicionalmente associadas com megacólon, indicam um distúrbio de Po, o Ch'i da atividade neuro-sensorial. Segundo os escritos de Pan Khu, o Zhi (vitalidade, vontade) é o Ch'i do nascimento e da reprodução. Representa a vontade de viver e o instinto de multiplicação. Sentimentos de inadaptação e falta de esperança indicam deficiência do rim. A energia alimentar pode ser um fator de RCUI. Geralmente existem antecedentes de intolerância ao leite nos pacientes. Na Medicina Tradicional Chinesa (MTC), leite representa um alimento de caráter muito frio. Quanto à energia cósmica perversa, o quadro clínico da RCUI representa sintomas de calor e estagnação, com insuficiência e concentração de sangue, resultando em supuração. Entretanto, a energia perversa que causa RCUI é o frio extremo causando sintomas de falso calor. Em resumo, consideramos que a RCUI é uma doença grave causada por um ataque de energia alimentar perversa ou de energia fria perversa. A deficiência de Po e de Zhi no IG e R é suficiente para provocar essa doença em indivíduo com predisposição.
SINTOMATOLOGIA CHINESA FEZES - Contrariando à esquematização do Capítulo 24 do Su Wen, diarréia não expressa unicamente alterações do ID e IG. No famoso capítulo 10 do Ling Shu, tratando da sintomatologia dos ataques aos meridianos primários e secundários, no tocante ao meridiano principal do rim pode ser lido: "... amolecimento de fezes, o paciente se esvazia." Tchang Tche Tsong, citado por Van Nghi, comenta: "a energia impura nada mais é do que o In (nesse caso o In pode significar energia mais profunda, Iong ou energia nutriente) e por isso que é localizada na parte inferior do corpo. Quando essa energia está na parte superior do corpo, ocorre indigestão e sensação de aperto porque a energia sobe mas não desce. No caso da energia Wei Ch'i, que é localizada na parte superior do corpo, quando é encontrada na parte inferior, provoca diarréia porque ocorre a descida da energia sem a correspondente subida. O frio se transforma em calor e chega à parte inferior do corpo. Quando Wei Ch'i desce, tal concentração ocorre e causa diarréia." Na MTC, o muco das fezes indica o conflito entre a energia perversa e Wei Ch'i. Segundo Van Nghi, existe um paralelo entre o quadro clínico da RCUI e a sintomatologia da deficiência do rim de "melena, impotência, frio na região lombar". Resumindo, a presença de sangue nas fezes, a diarréia, o muco e o pus são sinais de frio extremo afetando o Rim no contexto do Bi (estagnação de Ch'i e de sangue causada em geral por frio e umidade) do rim. DOR ABDOMINAL - Ling Shu também indica que o rim pode ser responsável pela cólica "se o pulso do rim é ligeiramente tenso, os pés do paciente muito frios, e com a sensação de algo correndo no estômago". No Da Cheng (Compêndio de Acupuntura e Moxabustão), essa sensação é tão ligada à cólica que ambas podem ser tomadas como a síndrome de Koenig. SINAIS ASSOCIADOS - A RCUI representa na MTC "Bi do Rim tipo deficiência causada pelo Frio". Ao interrogar o paciente, o acupunturista sempre encontra sintomas não explicáveis pela Medicina Oficial. Por exemplo, impotência, frigidez, amenorréia, menorragia ou metrorragia, sensibilidade ao frio, sensação de frio na região renal e lombalgia são encontrados com certa frequência. Artrites de quadril, joelho ou tornozelo, sacroiliítes e espondilites também são possíveis de ocorrer. Existem associações com eritema nodoso. Anemia pode ocorrer porque a medula é controlada pelo rim, embora a anemia possa ser secundária às hemorragias da RCUI. Na MTC, quando há desequilíbrio de rim e medula, pode haver alterações de pele. No Ling Shu, capítulo sobre as doenças dos vasos causadas pela energia nervosa, nós lemos que "quando o pulso do Rim é muito áspero, há abscessos grandes". Isso pode estar relacionado com as piodermites, estomatites e outros sintomas cutâneos observáveis na RCUI. A deficiência de Metal poder afetar pulmão e intestino grosso, que governam a pele, contribuindo para as lesões cutâneas.
EVOLUÇÃO DA DOENÇA Na MTC, as complicações acompanham o inexorável desenvolvimento do Bi do rim. As complicações hepáticas e digestivas, entretanto, podem ser também atribuídas às leis dos 5 Elementos. A afecção pode atingir os três meridianos In do Pé, conforme Su Wen, tratando de sangramento retal: "a concentração de In causa doenças onde a quantidade do sangue varia conforme a evolução da doença. No 1o. estágio, haverá 1/5 l de sangue nas fezes, no 2o. estágio, 2/5 l, e no 3o. estágio, 3/5 l de sangue." Se o rim atingir o baço, ocorrerão sinais de movimentos de Terra, tais como náuseas, vômitos e anorexia. No capítulo "Desordens dos Canais causadas pelas Energias Perversas" do Ling Shu, Qi Bo explica que a hemorragia retal pode ser causada por afecções do baço: "Se o pulso do baço é muito áspero, há lesões intestinais, se for ligeiramente áspero, há sangue e pus nas fezes." Se a doença seguir o ciclo de geração dos 5 Elementos, atinge o fígado, podemos encontrar icterícia representando hepatite ou colangite, pode haver hipocolesterolemia, contudo, as complicações mais importantes são oculares. Episclerite, irite e ceratite indicam ataque ao fígado. Na evolução do Bi do rim, encontram-se anemia, estomatite e num estágio mais avançado, litíase renal significando ataque direto ao órgão rim, com exaustão da energia. No capítulo "Doenças Estranhas", Qi Bo afirma: "o pulso pequeno e profundo, turbulento e em luta, é o sinal de hemorragia intestinal.", e ainda: "um pulso vazio é In e Iang = fezes com espuma e sangue, diarréia mortal." Na fase terminal do Bi do rim, Qi Bo diz: "Se há frio excessivo, o Zhi será afetado." O pulso do fígado, cheio e distendido nos primeiros estágios, indicando a luta entre a energia do corpo e a energia perversa, vai dar lugar ao pulso vazio da exaustão.
TRATAMENTO PELA ACUPUNTURA Nosso propósito é fortalecer a energia original (essencial, pura) pelo estímulo de rim e intestino grosso, e expulsar a energia perversa localizada nos capilares. Para fortalecer o rim, nós não devemos hesitar em utilizar técnicas tonificantes. Nós selecionamos pontos VG1, VG4, B23 e B29. Todos esses pontos devem ser estimulados com moxas, que devem ser removidos quando a pele se torna hiperemiada. Como o pacientes é fraco, as agulhas devem ser usadas o mínimo possível. Em lugar disso, quando a energia perversa é frio extremo, deve ser utilizado calor. Esses pontos, de acordo com Da Cheng, compensam a deficiência do rim. VG1 auxilia em "diarréia severa, melena, hemorróidas, Wei (fraqueza ou paralisia) das pernas, dos rins até os pés, e lombalgia." VG4 é útil para "complicações intestinais, diarréia, disenteria, prolapso de reto, impotência, hemorragia retal, hemorróidas." B23 é indicado para os mesmos sintomas acima além de "fígado aumentado e endurecido, com fezes amarelas e escuras, dor de estômago, debilidade, cinco tipos de doenças degenerativas." B29, na vizinhança do 3o. forame sacral, é indicado para "In no intestino grosso, In no rim." Nesse caso, In significa energia perversa, isto é, o frio. Também está escrito "disenteria branca e vermelha." Este ponto, na nossa experiência, é mais efetivo para hemorragia retal. Para fortalecer o rim, pode ser utilizado R3, ponto fonte do rim. Tradicionalmente é indicado no Nei Ching para tratar Wei e Bi. Para este ponto, o Da Cheng fornece as seguintes indicações: "doenças degenerativas com calafrios, icterícia severa, febre sem sudorese, diarréia." Finalmente, agulha e moxa nos pontos VC4 e VC6 não devem ser esquecidos. Dois pontos, B25 e E25, são indicados para "disenteria branca e vermelha", isto é, equivalente no Ocidente a disenteria com hemorragia. A acupuntura de E36 e BP6 podem ser usada como influência reguladora. Outro procedimento chamado "Expulsão da Plenitude dos Vasos Secundários", não deve ser esquecido, particularmente quando o paciente apresenta lombalgia, e principalmente se ele tiver espondilite ou artrite. Nesse caso, a energia perversa, localizada na pele ao longo de vasos dilatados parecidos a uma rede de microcapilares ou veias dilatadas, pode ser eliminada através da sangria. Durante as fases agudas, o número de sessões deve ser 3-4 /semana, ou até mesmo diárias. Os resultados geralmente são rápidos e melhoras observadas nas 1as. cinco sessões. Passamos então a realizar 2-3 aplicações semanais. Todos os medicamentos alopáticos - corticoesteróides, sulfapiridinas - devem ser interrompidos gradativamente. 15 a 20 sessões em geral têm sido suficientes para sair da fase aguda. O momento mais crítico é a interrupção dos corticoesteróides, havendo recidiva, deve sumentar a frequência das sessões. Se persistir, pode ser necessário reintroduzir os sulfamidas. Em geral, o paciente pode ficar livre dos medicamentos e ter as crises mais espaçadas. Convém lembrar que o acupunturista deve efetuar o tratamento até que a fase aguda passe totalmente e o paciente livre dos remédios. A continuação dos medicamentos impedirá os benefícios progressivos da acupuntura. Finalmente, os resultados são melhores se o paciente vier fora da crise aguda e tomando pouco medicamento. Algumas vezes, uma série de sessões de acupuntura são suficientes, mas em geral, o paciente deve ser visto após dois meses para uma segunda série, e se necessário, terceira série. Por outro lado, no caso de melhora evidente e ausência de sintomas, pode não haver necessidade de séries preventivas. Havendo a possibilidade da recidiva, a acupuntura deve ser indicada antes que o paciente chegue a tomar remédios. Realizando o tratamento em número limitado de pacientes com RCUI e desenvolvendo a técnica nesses casos, particularmente no uso prolongado da moxa e na boa seleção dos pontos, 65% dos pacientes reagiram favoravelmente à acupuntura. Há o caso de um paciente bem equilibrado há 5 anos, passando por 4 séries de acupuntura nos 2 primeiros anos. |